Olha, eu vou falar de boca cheia o quanto eu gostei de “Jogador Nº 1“. Primariamente por ser o melhor filme de games, não adaptado de games, que você verá nos cinemas, já que Hollywood carece de boas adaptações desse gênero. O longa é todo completo se você desmembrá-lo pedaço por pedaço, envolto em várias camadas de entretenimento e mensagens.

A brilhante ideia do incrível diretor Steven Spielberg, foi adaptar a história do livro que leva o mesmo nome, criado por Ernest Cline. No longa o ano é 2044, a indústria dos games chegou a um nível altíssimo onde a realidade virtual é quase a mesma realidade, ou neste caso acaba se tornando a própria, como assim? É que a realidade é tão sem graça, entediante, numa visão que temos de primeiro plano onde a vida é tão cinza e ‘sem vida’, que ao entrar em uma realidade virtual onde tudo é possível, faz com que você acaba deixando de lado a vida normal, o que é bacana para se pensar, pois no longa eles abraçam isso de uma maneira normal, só mais além no último ato vemos eles entendendo o compromisso de viver na verdadeira realidade, mesmo com seus problemas.

O protagonista Wade Watts/Parzival, interpretado por Tye Sheridan, tem o interesse (como todo bom filme com jornada de herói) de ser conhecido e se tornar ‘alguém’. O criador do game, que o denominou ‘Oasis’, James Halliday (Mark Relance), antes de falecer deixou uns desafios para quem os encontrar desvendando-os, ganhar o domínio do jogo por completo, para isso precisam juntar 3 chaves que abririam um porta de riquezas virtuais. E isso é o mais impressionante desse longa, o cuidado e o carinho que tiveram com as particularidades que existem nos games, acredito que isso seja o fator essencial que fez “Jogador Nº 1” funcionar muito bem. Temos a vibe de passar de fazes, juntar peças, ganhar acessórios, morrer e voltar a vida, etc. Esses elementos tão básicos estão lá e você os abraça, pois vivenciou tudo isso no seu super nintendo, atari, mega drive e por aí vai.

Jogador Nº 1” basicamente se passa nessa realidade virtual, assim que vemos um um filme animado, onde a animação destrói absurdamente em perfeição visual, a captura de imagens, as emoções, as cores. Tudo é muito bem produzido, o que te faz amar aquilo. O elenco em si, é desconhecido, o mais conhecido com certeza é um ator que você já viu mas não sabe de onde é, que seria o protagonista interpretado por Tye Sheridan, que fez o papel do jovem ciclope nos cinemas. A história é bem amarrada pois tem um bom começo, o enredo se leva naturalmente e de repente vemos uma cena de início onde Wade entra no jogo colocando o visor, dando ao telespectador a impressão de entrar junto no game. Temos pouco tempo depois uma belíssima cena bem vídeo game de corrida cheia de ações e riquíssima em detalhes fazendo seus olhos explodirem de imagens.

Vamos focar no principal. “Jogador Nº 1” com certeza se tornará importante para cultura do cinema, pois abraça o mesmo, ou seja, ele se compõe de cultura própria. Tudo o que já vimos na vida, baseado em filmes, séries, jogos, literatura, está lá. O que lhe faz pensar, esse foi um filme difícil e caro de fazer, pois imagine pagar por direitos de propriedade de vários elementos de cultura popular.

Sem querer dar spoilers (mas já dando), vemos personagens de games como Halo, Street-Fighter, Chucky, Tartarugas-Ninjas, Batman, dentre outros, é um filme que irá agradar a nova geração mais embalada nos games de hoje em dia e mais próximos dessa realidade quanto (principalmente) os mais velhos, que cresceram vendo personagens e filmes que marcaram as décadas de 80 e 90. Além do grande ponto marcado pela trilha sonora, onde podemos ouvir Van Halen, Bee Gees entre outros.

Resumindo, “Jogador Nº 1” é um dos melhores filmes que você verá esse ano, a melhor adaptção (não jogo) de games que você verá em um período de tempo, e quem sabe a melhor, pois abraça a cultura digital/gamer de uma forma ‘simples’, sucinta mas dinâmica e muito bem feita. Um filme completo que vivencia o divertimento eletrônico mas que enfatiza a importância da vida real também. Só um adendo, vale a ida e ver o filme em IMAX, pois o 3D está no capricho.

 

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