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Há determinados momentos em “Cidades de Papel” que descobrimos significados curiosos para seu título. Durante a descoberta dos personagens, conhecemos o fato de uma “cidade de papel” ser uma marca autoral, um recurso que cartógrafos usam para legitimar seus mapas criando áreas urbanas fictícias. Em seu sentido figurado, no entanto, designa uma cidade bidimensional, sem grandes intenções. A adaptação do livro homônimo de John Green nada mais é do que um resgate e uma versão própria das aventuras de autodescoberta adolescente que dominou o cinema na década de 1980, mas que agora surge um pouco datada e superficial.

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O garoto Quentin Jacobsen (Nat Wolff, carismático) jamais se esqueceu do dia em que Margo Roth Spiegelman (Cara Delivingne) se mudou, ainda quando criança, para a casa da frente. Daí, surgiu um vínculo de amizade e “Q” passou a ter um sentimento amoroso pela nova amiga que, de uma garota meiga, passou a ter um comportamento mais radical, com suas aventuras noturnas, sem contar com seus sumiços repentinos. O tempo passou e, quando a amizade parecia ter minguado de vez, Q tem uma nova chance de passar um tempo com a amada vizinha, ajudando-a numa divertida, ainda que arriscada, missão de vingança. Margo, então, consegue quebrar a “zona de conforto” de Quentin, tornando o rapaz muito mais obstinado e prestes a fazer uma loucura quando a garota simplesmente foge novamente de casa. Bem quando Q estava prestes a chamá-la para o clássico baile de formatura…

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“Cidades de Papel” traz coisas divertidas, em específico, quando trata de puxar para si referências da cultura pop dos últimos tempos, afinal, faz parte do cotidiano de Quentin e seus amigos inseparáveis, Radar (Justice Smith) e Ben (Austin Abrams). Nota-se aí, e a julgar pelo linguajar e ações do último, que o trio-nerd não é nada recatado. Agora são os valentões de sempre, aqueles que namoram as meninas “gostosas”, que estão por baixo, que não tem nada demais a não ser músculos e muita grana para bancar as (tradicionais) festas onde entra todo mundo. Até as meninas, bem representadas pela interessante Lacey (Halston Sage) e a namorada de Radar, Angela (Jaz Sinclair), querem que os rapazes vejam além da beleza exterior delas e não pensam duas vezes quando a aventura é proposta.

Abandonando o suspense cativante da investigação das pistas, lá pela metade o filme cai na estrada e, infelizmente, torna a narrativa previsível e com atuações dignas de curtas universitários. O roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber (responsáveis por “A Culpa é das Estrelas“) vira uma sequência de diálogos fracos e expositivos, além das narrações à la “Clube dos Cinco”. A direção de atores é pouco cuidadosa e fica visível sobretudo quando o jovem elenco troca as falas, parecendo muito decorado e automático. Pelo menos, a química entre Delevingne e Wolff consegue ser a força-motriz da história, mas não espere uma história de amor.

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Com tantas referências e mensagens escapistas, é frustrante ver que a protagonista (ou aquela que deveria ser) carece do real espírito das palavras de Walt Whitman e se mostre uma garota mimada e egoísta. De qualquer forma, diferente do trio de melhores amigos, tão assolados pelo fato de a vida adulta os separar (em pleno 2015, com tantas redes sociais?!), Margo parece entender que as mudanças não precisam ser exatamente como está no papel.

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