A cada filme que a Marvel lança, mais parece encontrar o equilíbrio ideal nas suas produções, ainda que cometa alguns deslizes recentes como em “Homem de Ferro 3” (e na série de TV “Agents of S.H.I.E.L.D.“), acertou em cheio com “Thor: O Mundo Sombrio” e não é diferente agora com “Capitão América: O Soldado Invernal“. Muito humor, explosivas cenas de ação e uma trama intensa circundam essa nova aventura do super-soldado e seus companheiros.

Após os conflitos da Batalha de Nova York, Steve Rogers (Chris Evans) vive em Washington, D.C. tentando se adaptar ao século 21 (reparem nas anotações do caderninho, que recebeu várias versões ao redor do mundo) recebendo quase sempre o apoio da colega Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e do mais novo parceiro de corrida, o veterano de guerra Sam Wilson (Anthony Mackie), que mais tarde será de grande ajuda. Se a atualidade já era estranha para alguém que vivia nos anos 40, é durante uma operação de resgate no Oceano Índico que Rogers passa a desconfiar que a S.H.I.E.L.D. possui mais segredos do que de praxe, informações que não lhe são transmitidas, tendo apenas que resgatar pessoas sequestradas. Intrigado, o Capitão decide questionar o diretor da superintendência, Nick Fury (Samuel L. Jackson), e seu superior, o secretário de segurança Alexander Pierce (Robert Redford), até que Fury sofre um atentado e o herói também entra na lista negra dos terroristas ao mesmo tempo virando inimigo da própria organização da qual estava ligado. Aliando-se com a agente Romanoff, Rogers parte em uma fuga frenética em busca de respostas que acabam remetendo diretamente ao seu passado, inclusive o super-assassino que está em seu encalço.

Um dos méritos do novo filme do Capitão América (e que vem desde seu filme inicial) é seu universo bem estabelecido. O cuidado que os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFreely tiveram em deixar a história bem coesa, evitando possíveis furos e acrescentando novas figuras sem sobrecarregar o espectador é exemplar, além de fornecer a Evans, Johansson e Mackie material suficiente para explorarem a humanidade de seus personagens, sem, claro, deixar de mencionar o sempre competente trabalho de Jackson e de Redford (ator esse que pretendo a correr atrás de seus trabalhos anteriores). Personagens femininas também não faltam aqui; além da Viúva Negra e o antigo amor de Rogers, a agente Peggy Carter (Hayley Atwell), acompanhamos a volta também da agente Maria Hill (Colbie Smulders) e a introdução de Kate (Emily VanCamp), uma “enfermeira” e vizinha/suposto interesse romântico do herói, revelando posteriormente ter outra função secreta (no entanto, acaba suprimida pelo desenrolar do segundo e terceiro atos).

 Os diretores Anthony e Joe Russo não economizaram nas sequências de ação em sua decupagem. Desde a primeira missão já citada do primeiro ato até o clímax nos aero-porta-aviões, não são muitas as cenas que propiciam um descanso aos seus personagens (e até mesmo para nós), sendo muito triunfante ver Samuel L. Jackson finalmente tendo uma sufocante cena de perseguição com muitos tiros – e carros destruídos – onde pode soltar seu melhor estilo bad-ass. Fica para a dupla Scarlett e Chris a maior parte dos combates físicos, em tomadas com ótimas (e por vezes divertidas) coreografias de luta, em especial nos intrincados embates com o Soldado Invernal (Sebastian Stan), aguçados ainda mais com a edição bastante picotada. Por falar no antagonista, o personagem é outro que acaba sofrendo na enxurrada de informações que a trama solta no decorrer do filme, sobretudo em sua dualidade, ainda que cumpra bem sua função dramática inicial, favorecido pelo design de seu traje e até mesmo no seu olhar frio, porém distante.

 

 

Dispensando apresentação em 3D, “Capitão América 2: O Soldado Invernal” mostra seu herói principal mais reflexivo, chegando a questionar o sentido de ser patriota (ao contrário do que muitos afora costumam desdenhar precoce e gratuitamente o personagem) e prevalecendo seus amigos antes de tudo. Por esse e mais outros fatores já citados, “O Soldado Invernal consegue se manter no pódio dos melhores filmes do estúdio, deixando obviamente muitas pontas soltas no seu final, que se figura como o desfecho de um episódio de série, afinal, há muito mais por vir ainda – e as duas cenas entre e pós-créditos se asseguram disso.

 

Mais críticas:

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