Partindo de uma idéia tremendamente original e curiosa, que só a comédia poderia tratar com as camadas necessárias para que se compreendesse a intenção por trás de tanta piada ingênua, o longa assinado por Rawson Marshall Thurber, “Família do Bagulho”, apesar da tradução porca, e dentro de suas limitações em ser um rascunho de si mesmo, é uma surpresa muito agradável dentro do saturado nicho de humor pornochanchada que Hollywood tem tanto apostado suas fichas.

Personagens tipicamente natos do engodado humor clichê – formado pelo traficante de drogas, a rebelde sem causa, o adolescente ingênuo e a stripper quarentona gostosona –, preenchem a narrativa de um road movie sobre uma família fraudulenta, formada para contrabandear um trailer repleto de maconha do México para os Estados Unidos, que ao gradual tempo e as situações absurdas que passam juntos, criam laços fraternais, logo, transformando-os numa típica família americana. Inicialmente sem muito tato para distinguir o que é, de fato, humor e o que é ensaio humorístico, o longa de Thurber se orienta, em boa parte, pela química e o carisma incontestável de Jason Sudeikis e Jennifer Aniston. Ambos os atores, auxiliados pelos também competentes Ed Helms e Emma Roberts, estabelecem, ao longo das peripécias da família, um humor naturalmente divertido. Apostando na quebra dos estereótipos e no saudosismo debochado do tradicional conservadorismo americano, a trama dos Millers se desfecha num tom suavemente voluntário, em contrapartida ao humor marginal apresentado anteriormente, dando uma intenção muito honesta, que é potencializada, principalmente, pelo talento bobalhão de Jason Sudeikis e sua personificação como David Clark.

 

 

Quase uma paródia das piadas de Louis C.K sobre a família americana, e todo o adjunto que com ela se formam as lições morais (arcaicas); “Família do Bagulho”, se por um lado sofre com a falta de um olhar atento aos detalhes que o transformaria em um argumento saudosamente afiado, tem ao menos o bom senso de experimentar as possibilidades do humor e da caricatura de seus personagens quanto ao que é crível para as desmistificações da ingenuidade por trás da liberdade de expressão – resumido num striptease sensual dos 44 anos de Jennifer Aniston.

 

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