Filme interessante, para dizer o mínimo. Fiquei intrigada com inúmeras questões (enredo, direção, direção de arte, fotografia). Não vou separar por assuntos porque acho que aqui está tudo meio que entrelaçado e será muito complicado de desmembrar. Mas, como de costume, começarei pelo enredo.

 

Aparentemente a trama gira em torno de uma quadrilha comandada por Frank, Vincent Cassel, a procura de um quadro e das tentativas (falhas?) de Simon, James McAvoy, recuperar parte de sua memória, que a princípio irá revelar o paradeiro da pintura. No desenrolar da história, a hipnoterapeuta Elisabeth Lamb, Rosario Dawson, entra na jogada e as coisas, que deveriam começar a se resolver, parecem que ficam cada vez mais enroladas. Como o próprio nome do filme diz, o espectador é levado para dentro do filme em um transe do início ao fim. Em vários momentos você fica em dúvida se a cena que está sendo exibida é o que está acontecendo na história ou é faz parte de uma hipnose de algum personagem. 

Acredito que isso seja pelos movimentos de câmera e pelos enquadramentos fora do comum, diferentes daqueles aos quais estamos acostumados, do cinema hollywoodiano clássico. Isso já podia ser visto em outros filmes de Danny Boyle, como “Trainspotting“. O tempo todo você fica incomodado e atento, e às vezes a atenção é tão grande que você fica cansado por não respirar. Porém acredito que tenha sido mais um jeito do diretor dizer ao espectador que algo está errado, que nem tudo o que você vê é o que está ali.

Outro fator que me deixou curiosa do início ao fim foi o uso das cores, em especial do azul e do laranja. Não é como normalmente acontece que os tons estão presentes nas roupas dos personagens e em alguns objetos, deixando o cenário levemente puxado para um tom. Aqui, o quadro inteiro fica contaminado ora de azul, ora de laranja, ora uma mescla dos dois. E também não é como normalmente, em que cada cor representa um personagem ou então um estado de espírito. E aí fica a questão, se não é nada disso, o que é? Nada mais nada menos do que a antecipação do fim do filme, que o diretor e o diretor de arte nos contam desde o início, nas primeiras cenas, o clímax, o momento onde o azul toma conta do laranja e os dois se misturam de um jeito único, esclarecendo todo o resto.

 

 

E por fim, a questão que me deixa com um pé atrás na hora de indicar o filme para alguém, os diálogos. Nada daquelas piadas prontas, frases de impactos ou coisas do tipo, felizmente. O ponto é que a trama estava muito enrolada e muito densa, e uma vez tendo falhado em fazer o espectador desvendar os mistérios pouco a pouco, por conta própria, o longa-metragem desvenda tudo através das falas, tirando todo o encanto e potencial que poderia ter. Ainda assim, recomendo.

 
Crítica:
[CRÍTICA #02] – Em Transe por Thiago Cardoso
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